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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Todo mundo espera alguma coisa de um sábado a noite

Acendi mais um cigarro. Sabia que não seria fácil encarar mais uma noite daquelas. Daquelas em que se espera tudo, mas encontra apenas o nada. Atravessei a rua escura, iluminada por postes com luzes queimadas. Atrás de mim estava a minha sombra, à minha frente o meu destino, e ao meu lado, ninguém. Cruzei a porta do bar underground, abaixo do chão. E chamei atenção por estar sozinha, logo entre aquelas pessoas que se julgam como as que não julgam ninguém. Sento, e peço uma bebida forte, dessas que lavam a alma, que levam a calma. Era uma noite daquelas que pedia uma bebedeira dessas, caso contrário, eu não iria suportar. A sanidade estava me levando a loucura. A voz do cara cantando Pearl Jam sendo abafada pelas vozes de tantos anônimos suados exalando alegria e exibindo suas gengivas como se fossem o máximo. Eu estava achando uma merda. Não importa se é Wesley ou Eddie no som, eu estava achando tudo uma merda. Meu olhar atravessava toda a multidão de pessoas naquele lugar e não enxergava nada, não parava em nada. As pessoas, o nada. E vocalista gritou estridente matando as palavras "in somebody else's sky...". E meu coração apertou. É estranho, mas ele apertou.
Eu não sei manter diálogos, e também não sei escrever diálogos, apenas imaginá-los, nunca os concretizei. Então, um cara que estava jogando sinuca para na minha frente, espera que eu o olhe, como eu não o faço, insiste:
- E ai, garota? - E então recebe meu olhar como resposta, ele estava perturbando minha paz, eu estava ligadona no tal do Liam.
- Desculpa (...) Pode me dar um cigarro? - E dei. Sorri sem mostrar os dentes, e ele se foi. 
Eu não estava interessada, não ouvi metade do que ele me disse. Terminei minha bebida e me levantei, quando estava saindo o cara do cigarro tentou uma piadinha, mas me limitei a ignorá-lo.
Entrei no meu carro, dei uns trocados ao moleque de rua e segui rumo à minha casa. A noite acabou. Liguei o rádio e lá estava aqueles garotos da Inglaterra sussurrando palavras de sabedoria: deixa estar. Mas foi num cruzamento, em que minha mente atribulada congestionou minha visão e um carro atravessou o sinal vermelho acabando com minha noite daquelas, com minhas esperas. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Infinita quimera

A brisa costumava bater forte no meu rosto, o brilho do sol incandescia meus olhos, forçando-me a fechá-los deixando então, a emoção tomar conta do momento, e aí as lagrimas caiam, evaporando antes de me molharem, meu coração se enchia de paz e nos meus lábios um tímido sorriso surgia, sorriso que pretendia ficar. 
Porém, hoje as janelas se encontram trancadas, o abajur é quem proporciona a luz e o vento é a mera circulação de ar do ambiente fechado, a emoção se foi e o sorriso junto com ela. O tempo - causador de tal - foi traiçoeiro, ele que me fez promessas de finais felizes e reconhecimento e amor e paz, contudo trouxe consigo amargura e uma crescente decepção. Hoje sou muito menos do que veem, se ainda atrevem me enxergar. Sou formada por meras objeções artificiais, não me atrevo a entrar em contato com o infinito, pois caso me perguntem: quem sou eu? A resposta seria vaga e não corresponderia com quem costumava ser. Envergonho-me pelo que tornei-me, azedei-me com o tempo, quanto desprazer! Ficaram de lado as coisas banais que costumava exaltar. A formalidade chegou junto com a normalidade e agora, desencontrei-me. Quem me achar, por favor não me procure, pois irá se decepcionar ao ver que meu sorriso se esvaiu indo de encontro com o mar.